“Essa é a nossa casa. E o nosso túmulo.”É com essa frase que começo a minha releitura do capítulo 3 do mangá de Fullmetal Alchemist, “A Cidade da Mina de Carvão”. Sem dúvida, entre os capítulos que eu li (poucos, convém dizer), é um dos meus favoritos. Primeiro, porque mostra bem o lado mais, digamos, mau-caráter do Ed, e eu prefiro ele mais malvadinho (nota: >=-D) , e, segundo, porque nos faz ver o que é realmente a idéia que eles fazem da alquimia, que deve ser usada para o bem das pessoas. Mas, para quem acaba de ler capítulos mais sérios, com apenas algumas notas soltas de comédia como o primeiro e o segundo, chegar ao capítulo 3 e descobrir que a titia Hiromu tem talento de sobra para criar um delicioso capítulo predominantemente cômico é muito bom.
O fardo do cão do exército
Até agora, não sabíamos ao certo como era ser um militar. Sabíamos que Ed era um alquimista do Estado, que já carregava nos ombros uma responsabilidade imensa por causa da tentativa de transmutação humana, mas só agora pudemos descobrir que ser um alquimista nacional era um fardo pesadíssimo por si só. Por ser militar, Ed é humilhado e escorraçado pelos habitantes de Youswell (uma atitude perfeitamente justificável, por ser baseada nas experiências anteriores dos habitantes da cidade com militares). Somos apresentados a Yoki, a personificação da falta de caráter e de moral. E vemos que a pequena cidade também é oprimida pelo excesso de cobranças e falta de retorno. Uma verdadeira “cama de espinhos”, como Edward a chamaria.
Fins que justificam os meios...
Em Youswell, somos apresentados a todo tipo de desmando causado por Yoki e seus subordinados. Os moradores até tentam enfrentá-los, mas acabam sofrendo represálias brutais. Como enfrentar criminosos que se escondem sob as asas da lei? Se a lei não pode ajudar, quem sabe algumas atitudes marginais possam... Assim, vemos mais uma vez um tabu alquímico ser mandado às favas. E, depois de algumas mentirinhas inocentes (ou nem tanto..), tudo se resolve, talvez por meios um tanto quanto tortos, é verdade. Mas é a partir desse capítulo que podemos ver que muitas vezes o Exército deu razão para ser chamado de assassino. E não é necessário ir procurar muito longe exemplos de podridão e de corrupção entre as cúpulas de poder, não é verdade? Maaaaas... bem, não é o lugar para discutirmos isso.
A grande verdade é que vemos o quanto a “troca equivalente”, como lei e filosofia, pode ser distorcida. Analisando esse capítulo com um pouco mais de cuidado do que quando eu o li pela primeira vez, pude ver certas premissas do que veríamos nos capítulos seguintes e até nos anteriores: distorção de verdades até então consideradas absolutas, opressão, injustiça, ganância, erros. Mas... espere... não vimos isso também em Ishbal? Ou em Liori, com o Pai Cornelo enganando as pessoas?
Final feliz
Talvez por ser um capítulo bem mais voltado para a comédia, ele também termina mais “feliz” do que os dois anteriores. Mas foi legal, exatamente para mostrar no que eles eram diferentes da maioria. A frase que eu coloquei no começo desse post é bastante reflexiva. Seria muito mais fácil fugir, mas aquelas pessoas resolveram ficar e tentar continuar suas vidas. E, no fim, acabaram sendo recompensados. É a Troca Equivalente operando novamente: “nada pode ser obtido sem uma espécie de sacrifício”. No fim, depois de tudo o que os mineiros lutaram para conquistar, as coisas terminaram bem. Não seria sempre assim, e é o que iremos descobrindo ao ler os próximos capítulos, mas dessa vez vimos a Troca Equivalente funcionando com 100% da capacidade, e trazendo algum benefício para alguém. É como o lado bom dessa lei, e o lado mau a gente já conhecia dos dois primeiros capítulos.
Anime x MangáE agora chegamos à inevitável comparação. Na minha extremamente humilde e inútil opinião, achei que o anime foi um pouco mais legal (em parte por causa da primeira aparição da Lyra, da qual eu sou fã, tanto antes quanto depois da Dante), mas o mangá ele é bem menos politicamente correto, e por isso mais engraçado. E, mesmo assim, ele não perde aquele jeito de fazer você pensar, o que é uma das maiores vitórias da série toda. Existem poucas diferenças, menos do que nos dois primeiros capítulos, no que diz respeito a certos diálogos, mas em essência são exatamente a mesma coisa. O único diferencial importante é mesmo a presença da Lyra no anime. Há também uma pequena alteração na ordem cronológica (no mangá, ele vem antes do capítulo do trem; já no anime, vem depois) E também percebi que Al é bem menos tolerante com as mancadas do Ed no mangá do que no anime... =B
Agora, a respeito da
arte: é um capítulo bem expressivo, em que se abusa das caretas e das metáforas visuais (por exemplo, quando Yoki bate em Kayal e Ed o defende), e talvez ainda mais expressivo que os dois anteriores. Há poucas cenas de luta, por isso a grande sacada está nas expressões faciais, variadas e muito convincentes.
E só uma pergunta:
qual é a desse maldito leque que aparece na mão do Ed várias vezes? O.o
Bem, galera, é isso. Preferi fazer a minha releitura num esquema diferente das da Sel. Na próxima semana (se vocês quiserem, é claro), voltarei aqui com a análise do capítulo 4, “Batalha no trem”. Obrigado por lerem e até mais!